LIMITES 0


Este mês que passou (julho), aconteceram vários fatos que me fizeram refletir sobre o tema dos limites que devemos ter e que queremos impor aos nossos semelhantes e a tudo que nos cerca. A nossa condição de ser humano dotado de alguma inteligência (atente aqui ao fato de que usamos menos de 10% de nossa capacidade, e mesmo assim nos colocamos no poder absoluto e acima de todos os seres do Universo) deveria fazer com que pudéssemos entender esta relação de limites melhor!

Mas, ao analisar alguns fatos que me aconteceram este mês, vejo que estamos muito longe disto. Vejo as pessoas tentando estabelecer territórios em vários planos (material, intelectual, emocional, espiritual...).

E o que me despertou para isto foi o fato de ter me pego nesta ciranda. Logo eu, que há 13 meses venho estudando e me preparando, tentando me elevar, pois este é o principal objetivo para quem segue o Taichi. Esta doutrina diz que não é fácil se desligar de vícios e de costumes já incorporados a mente e ao espírito.

Primeiro, gostaria de relatar uma conversa desastrosa minha em uma comunidade no Orkut. Aqueles que me conhecem da época em que praticava estilos externos de Kung Fu e o Kenjutsu, sabem do prazer doentio que tinha em lutar (notem que estou falando em luta de verdade, e não práticas desportivas de combate) ao ponto de sair na rua procurando briga para testar o que praticava!

Lá encontrei o tema seguinte para discussão: “Tai Chi Chuan e Luta de Chão”. De pronto me assustei e me senti indignado! Como é que podem querer que o Tai Chi Chuan incorpore técnicas de lutar no chão, se o seu principal objetivo é não ter que lutar, e se precisar, usar o próprio ataque para acabar com a luta? E muitas destas investidas em um lutador de Tai Chi Chuan acabam com o adversário sendo arremessado ao chão? Querem agora que fiquemos nos engalfinhando no chão?

Então entrei na discussão e acabei excedendo os limites do razoável e do inteligível, levado até pelos que ali estavam trocando farpas e ofendendo outros praticantes de outras Artes Marciais. Até que, em uma nota que me mandaram insinuando que eu só sabia falar, eu acordei do estado de êxtase em que me encontrava, voltando ao equilíbrio e harmonia que estou tentando construir. Percebi então que nem eu e nem ninguém é dono de nada. Eu não tenho direito de me sentir ofendido porque querem criar um outro estilo de Tai Chi Chuan com praticantes rolando no chão; não sou e nem posso ser contra ninguém que goste disto!

O TAO tem seus próprios caminhos e o Taichi, que é a expressão da sua manifestação em nosso plano, também tem seus próprios caminhos!

Gostaria de encerrar dizendo que, todos nós que almejamos ser humanos evoluídos, precisamos estar atentos aos LIMITES!

Arigatô! Sayonara!

Mestre Sérgio Silva

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